Relato do meu parto

>> 22 de fevereiro de 2011

 Dias mais coloridos =)

Antes de começar, duas observações:
1. Este texto interessa mais às mães ou a quem planeja ter filhos. É um relato longo, bastante pessoal e pouco tem a ver com imigração ou sistema de saúde canadense. Isto será assunto para o próximo post. Melhor pular se não quiser saber de detalhes excessivamente descritivos...

2. Muito obrigada por todos os comentários sobre o nascimento da Isabella. Sei que dificilmente conseguirei responder a todos individualmente, mas fiquei muito feliz em conhecer novas pessoas que acompanham o blog e saber que muitos se alegraram conosco! Obrigada de verdade!

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Na quarta-feira (9) acordei ansiosa, mais um dia e nada de Isabella... Sentia os mesmos sinais que vinha sentindo nas últimas duas ou três semanas: cólicas, dores nas costas e contrações, algumas levemente doloridas, mas a maioria sem dor. Como minha mãe e minha sogra estão aqui, e estava tentando aproveitar ao máximo a estadia delas antes do nascimento da pequena, decidi deixar o Flávio no trabalho e ficar com o carro para vermos uma exposição de esculturas de gelo do Winterlude e irmos ao shopping. Aproveitamos a exposição pela manhã e fomos almoçar no Rideau Centre. Depois de almoçarmos fui ao banheiro e percebi um leve sangramento. Achei estranho, comentei com minha mãe e em seguida tive uma dor nas costas mais fortinha. Ainda andamos um pouco, mas fiquei cansada logo, e depois viemos para casa.

Percebi que fui tendo umas contrações doloridas bem espaçadas, algo tipo de hora em hora. Lá pelas 19h decidi marcar e vi que estavam de trinta em trinta minutos. Ainda achava que poderia ser alarme falso e não dei muita bola. Lá pelas 22h elas estavam de quinze em quinze minutos e eu comecei a achar que poderia ser de verdade. A dor era bastante suportável e todo mundo aqui em casa começou a ficar animado e querer que eu fosse para o hospital. Mas aqui eles pedem para só ir quando elas estiverem de cinco em cinco por pelo menos uma hora... Achei melhor esperar, tomar um banho, lavar o cabelo e arrumar os últimos detalhes da minha mala.

Nesse intervalo elas foram se aproximando rapidamente. Quando chegaram de cinco em cinco, por volta de uma da madrugada, ligamos para o hospital para saber se já dava para ir. Eles pediram para esperar meia hora e ir, mas meia hora depois já estavam de três em três ou dois em dois minutos! Nessa hora começaram a ficar bem mais fortes e doloridas. Fomos correndo para o hospital e no carro já estavam de um em um minuto... Aí sim, a coisa pegou e eu não conseguia ficar sentada no carro de jeito nenhum. Fui chegando e queriam fazer o cardiotoco e monitorar os batimentos dela por mais meia hora. Impossível ficar deitada durante as contrações! A bolsa rompeu lá mesmo e fui tentando arrancar a cinta do exame da barriga... Vomitava de dor e só queria ir logo para a sala de parto. No primeiro exame de toque na sala de pré-parto estava com 5 cm de dilatação e no segundo já tinha 7.5 cm.

Tinha lido bastante sobre parto normal, fizemos curso pré-natal e na minha cabeça tudo seria bem diferente, mais lento por ser o primeiro parto, com tempo para controlar a dor... Que nada! Tudo foi bastante rápido: não deu tempo de usar banheira, de usar bola de pilates, tempo de nada. Tentava respirar conforme aprendemos no curso e o Flávio tentava me deixar tranquila, mas chegou um ponto que esqueci tudo! Comecei a pedir anestesia, porque vi que não ia aguentar. O anestesista demorou horrores para chegar, foi complicadíssimo ficar parada durante as contrações para a agulhada, mas depois pelo menos tive uns momentos de alívio!

Lá pelas 4:30 já tinha dilatação total e comecei a empurrar. Foi aí que a coisa desandou. Empurrei muito, por quase duas horas e nada. O médico disse que ela poderia estar presa no canal e sugeriu o uso de pitocina para ritmar as contrações e depois de uma ventosa para puxar o bebê. Naquele momento, com dor (sim, a anestesia foi perdendo efeito) e cansada, só queria que ela nascesse... Tinha lido pouco a respeito da ventosa e decidi aceitar. Ele tentou por três vezes, os batimentos cardíacos começaram a cair e o médico sugeriu uma cesárea, por conta do risco. Me trouxeram oxigênio, vi um monte de gente chegando... Eu já estava aceitando qualquer coisa e minha mãe e o marido que estavam na sala de parto comigo estavam extremamente assustados.

Assim fui eu, para uma cesárea de emergência, tendo chegado tão perto do parto normal que sempre sonhei... Mais anestesia, e depois do primeiro corte deixam o marido entrar. Nada de fotografar ou filmar a cirurgia e depois de alguns minutos, nasce a minha filhinha. Quando ouvi o chorinho, desabei a chorar também! Não conseguia acreditar que ela finalmente estava ali e bem! Nada mais importava. Quando trouxeram para ficar uns minutinhos comigo, o tempo parou e meu coração foi tomado por uma avalanche de emoções. Ela foi examinada ali do meu lado sob os olhos atentos do marido e depois eles foram para outra sala. Lá ela fez o primeiro contato pele a pele com o papai e foi com ele para o quarto. Depois que me fecharam eu ainda fiquei mais uma hora em recuperação e fui para o quarto também. A recuperação da cesárea é estranha, fiquei bastante grogue, tive coceira por todo o corpo e aquele primeiro dia foi todo meio nebuloso, com soro, sonda e tentando conhecer melhor minha filhinha.

Se fosse fazer algo diferente, teria insistido em fazer uma ecografia particular no final da gestação. Cheguei a pedir uma autorização à médica em uma das consultas do pré-natal, mas ela disse que estava tudo bem e não havia necessidade... Acabei não insistindo. Talvez a ecografia mostrasse se uma cesárea seria mesmo inevitável. Talvez também não devesse ter aceitado a ventosa e devesse ter empurrado mais um pouco. No fim, sei que nada disso importa, porque ela está aqui, bem e saudável. Se me arrependo de ter tido o parto aqui? De forma alguma. O hospital tem uma excelente estrutura, a equipe toda foi maravilhosa e sei que se o parto normal aqui não foi possível, é porque não era mesmo para ser. Como disse, a única coisa que acho estranho aqui é a falta de ecografias no final da gravidez, já que, se tudo estiver bem, aqui só fazem uma se o bebê estiver com mais de 41 semanas e não tiver nascido ainda.

Acabamos ficando mais tempo no hospital que o previsto porque ela teve icterícia e no fim estava louca para vir logo para casa. Agora, apesar do cansaço dos primeiros dias, estar aqui com ela é bom demais e meu coração está cheio de amor! É uma delícia aproveitar esses dias de recém-nascida dela. O cheirinho, a delicadeza, as muitas carinhas e boquinhas, as mãozinhas e pezinhos em miniatura... Estamos tirando muitas fotos e quero me lembrar de tudo, porque sei que passa muito rápido. Na semana passada recebemos a visita de uma enfermeira do CSSS, o que é procedimento padrão por aqui e tivemos uma ótima conversa. Esclarecemos muitas dúvidas, Isabella foi avaliada e recebemos muitas informações sobre a recuperação da cesárea, o desenvolvimento da nossa filhinha, amamentação e vários outros detalhes. Vai tudo bem quando tudo acaba bem!

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Nasceu!

>> 15 de fevereiro de 2011

É com imensa alegria que venho contar que nossa filhinha tão amada nasceu no dia dez de fevereiro! O parto foi um pouco complicado e por conta de uma icterícia, só saímos do hospital ontem, Valentine's Day. Quem poderia desejar melhor presente? Ela é linda e estamos todos apaixonados aqui em casa.
Vai tudo bem, mas como dá para imaginar, esses últimos dias têm sido de intensa adaptação. Volto assim que possível para deixar um relato do parto, no hospital de Gatineau, e falar mais sobre a chegada da Isabella.

Ser mãe é um presente divino e minha vida já mudou completamente com a chegada dela. Muito obrigada, meu Deus, por deixar meus dias mais coloridos e me ensinar tanto em tão pouco tempo!

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Então a nossa boca encheu-se de riso, e a nossa língua de cantos de alegria. Até nas outras nações se dizia: "O Senhor fez coisas grandiosas por este povo". Salmos 126:2

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Eu e meu barrigão...

>> 6 de fevereiro de 2011

Aparentemente minha filhota linda me ama demais e não quer deixar de ficar perto da mamãe! Por aqui continuamos esperando... Ah, graças a Deus a gripe melhorou e nesses dias estou aproveitando bastante os últimos dias da barriga e a presença das avós. Agradeço todos os comentários, e espero ter boas notícias em breve! Torçam por nós...

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Dando sinal de vida

>> 31 de janeiro de 2011

Passando rapidamente para avisar que nossas mães chegaram na sexta passada para estarem aqui quando Isabella chegar. Estou na reta final da gravidez e arranjei uma gripe forte e indesejada nos últimos dias... Por isso adianto que provavelmente não vou conseguir escrever aqui com a frequência que gostaria, mas espero que o próximo post seja para anunciar que nossa pequenina nasceu!

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Momento cute do dia

>> 27 de janeiro de 2011

Este momento cute do dia foge um pouco do usual, mas mexeu tanto comigo! Para todas as mamães e moms to be!




Obrigada por compartilhar, Vanessa!

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Ça m'a fait sourire

>> 26 de janeiro de 2011

Um pouquinho de français québécois para começar o dia!



Quando eu digo que o francês daqui é bem diferente não estou exagerando...
As lições número dois e três também são imperdíveis!

Valeu Carol!

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Seis meses de Canadá

>> 23 de janeiro de 2011

Hoje completamos seis meses em Gatineau e, apesar de saber que ainda temos um bom caminho pela frente, vejo que a cada dia estamos melhor adaptados e muito satisfeitos com a nossa decisão. Gostamos da cidade, temos feito boas amizades por aqui, encontramos uma boa igreja, e gostamos muito do estilo de vida que escolhemos. Acho que para o caminho ficar completo, preciso encontrar um emprego, porque sinto muita falta de trabalhar, mas sei que até colocar a Isabella em uma creche daqui uns bons meses, isso não será possível.

Agora que a vida segue uma relativa normalidade, tento apreender o que posso sobre a cultura local, sobre a realidade e história do país que escolhemos para viver. Penso que esse seja o começo do caminho para uma boa integração, já que não dá para ficar dentro do casulo e achando que dá para transformar nossa trajetória aqui em um pequeno Brasil fora de lá. Quanto mais o tempo passa, mais vejo o quanto este país é rico em diversidade: de culturas, de clima, de paisagens, de valores, de história! Eu tento ser prudente e costumo dizer ao Flávio que não dá para considerar nada como definitivo até termos completado um ano aqui. Mas acho que esses seis meses merecem ser comemorados, e valem ser lembrados com essa pequena reflexão. Daqui outro semestre eu volto a comentar sobre o tempo que passamos aqui, e analisar nossa vivência.

Daqui a mais uns dias, nossas vidas vão passar por outra transformação. Nossa filhinha está para chegar e além de imigrantes "recém-chegados" seremos pais e sei que nada mais será o mesmo. Mal posso esperar! Muito do que fizemos até aqui foi feito por ela e acho que colheremos bons frutos disso daqui a um tempo. Então seguimos como sempre fizemos até aqui: pedindo que Deus nos abençoe e nos oriente e tentando dar um passo de cada vez do tamanho das nossas pernas!

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